domingo, 12 de outubro de 2008

Deus sabe que somos artistas da vida. Um dia nos dá um martelo para esculturas, outro dia pincéis e tinta para pintar um quadro, ou papel e caneta para escrever. Mas jamais conseguirei usar martelos em telas, ou pincel em esculturas. Portanto, mesmo sendo difícil, preciso aceitar as pequenas bênçãos de hoje que me parecem maldições porque estou sofrendo e o dia está lindo, o sol está brilhando, as crianças cantam na rua. Só assim conseguirei sair de minha dor e reconstruir minha vida...

terça-feira, 2 de setembro de 2008

À procura da outra metade

Segundo Platão, no início da criação, os homens e mulheres não eram como são hoje; havia apenas um ser, que era baixo, com um corpo e um pescoço, mas sua cabeça tinha duas faces, cada uma olhando para uma direção. Era como se duas criaturas estivessem grudadas pelas costas, com dois sexos opostos, quatro pernas, quatro braços.
Os deuses gregos, porém, eram ciumentos, e viram que uma criatura que tinha quatro braços trabalhava mais e as suas duas faces opostas estavam sempre vigilantes e ela não podia ser atacada por traição, as quatro pernas não exigiam dela tanto esforço para ficar em pé ou andar por longos períodos. E o que era mais perigoso: a tal criatura tinha dois sexos diferentes, não precisava de ninguém mais para continuar se reproduzindo na terra.
Então Zeus, o supremo senhor do Olimpo, disse: “Tenho um plano para fazer com que estes mortais percam sua força.”
E, com um raio, cortou esta criatura em dois, criando o homem e a mulher. Isso aumentou muito a população do mundo, e ao mesmo tempo desorientou e enfraqueceu os que nela habitavam – porque agora tinham de buscar de novo sua parte perdida, abraçá-la de novo, e nesse abraço recuperar a força antiga, a capacidade de evitar a traição, a resistência para andar longos períodos e agüentar o trabalho cansativo. O abraço em que os dois corpos se confundem de novo em um, nós chamamos de sexo.

terça-feira, 5 de agosto de 2008

A gente...



E a gente vai e bate a cabeça, uma, duas, tantas vezes. A gente gosta, ama, odeia, desiste e continua. E no fim de cada paixão a gente cansa, promete, teme, chora. Jura que nunca mais sente aquilo de novo. Que não dá, que é difícil. A gente sabe que não dá e foge pro escuro.A gente chuta o cachorro e fica de mal com o mundo. A gente pede a Deus ajuda e um colo seguro. A gente se arrepende do que fez e do que não disse. E vem a vontade de ter amado do jeito certo.
Mas numa hora qualquer, o peito é cortado por um aperto, um sufoco e tantos desejos. E a gente não tem culpa. Rinocerontes dançam tango no nosso estômago. A gente se vê em pausas bobas, pensando loucuras e criando universos. E a gente se desespera, se embriaga, se esquece. A gente não dorme e de vez em quando também chora. A gente ganha o dia e perde as horas. A gente pára e pensa, e não pensa, e só quer o abraço mais apertado. A gente se chateia por bobagens, se magoa, se angustia e não quer mais. A gente sente o cheiro e se derrete. A gente trava guerras por ciúmes e da mesma forma que se apaixona, faz inimigos sem motivo. A gente ama um sorriso, uma letra, um trecho da vida, o dedinho torto do pé e o corpo todo. E aí uma eternidade de palavras já não é mais suficiente pra se dizer o quanto gosta...

domingo, 20 de julho de 2008

Tudo a ver com o momento...

Pra rua me levar


Não vou viver, como alguém que só espera um novo amor
Há outras coisas no caminho aonde eu vou
As vezes ando só, trocando passos com a solidão
Momentos que são meus, e que não abro mão
Já sei olhar o rio por onde a vida passa
Sem me precipitar, e nem perder a hora
Escuto no silêncio que há em mim e basta
Outro tempo começou pra mim agora
Vou deixar a rua me levar
Ver a cidade se acender
A lua vai banhar esse lugar
Eu vou lembrar você
É, mas tenho ainda muita coisa pra arrumar
Promessas que me fiz e que ainda não cumpri
Palavras me aguardam o tempo exato pra falar
Coisas minhas, talvez você nem queira ouvir...

domingo, 6 de julho de 2008

Ponto de Ônibus

Imagine a vida como um ponto de ônibus...
Você vai para o ponto esperar seu ônibus. A variedade é grande, porém você escolhe aquele que vai te levar aonde você quer chegar. Mas enquanto espera vê os carros passando e começa a pensar que você poderia estar andando de carro e não de ônibus! Por mais que você saiba que virá, ele demora, já o ônibus está logo ali, e é tão mais divertido andar de ônibus! Não é uma coisa previsível, sempre há algo novo, lugares novos a passar, gente diferente pra ver... daí você escolhe entre o certo e seguro ou estica o braço e se arrisca numa oportunidade qualquer... e a vida é isso, é arriscar. Você pode errar, pode ficar triste, ou pode se aventurar, fazer coisas novas e diferentes até que a "idade segura"chegue, ou seja, época em que você terá o seu próprio carro.

Então não faça como o burro, que empaca perto do trigo.
Arrisque.

quarta-feira, 2 de julho de 2008

Uma hora difícil...


Em nenhum momento pensei em mim... queria estar ao seu lado para lhe dar força, um ombro amigo no qual poderia chorar, sem se preocupar.
No entanto, o abraço foi vazio, o sentimento foi superficial... enquanto eu estava ali pronta para doar a minha vida se preciso.
Esse é o meu problema. Estou sempre pronta a me doar sem saber se outro está disposto a receber. Na maioria das vezes as pessoas simplesmente não querem, não precisam.
Quem sabe nem percebeu? Prefiro não pensar. Melhor pensar que não quer, assim desisto de vez de ser boba e parto pra uma etapa mais divertida em minha vida. Porque eu descobri que os bonzinhos sempre levam a pior.

sábado, 21 de junho de 2008

Porque eu prefiro métodos empíricos…

Minha mãe sempre diz pra eu olhar por onde ando... pra quem sabe assim, eu parar de meter o joelho nas quinas das coisas. Ela sempre diz também pra eu me arrumar mais cedo, senão vou chegar atrasada. Mas eu nunca escuto.
Não vai ser agora que vou escutar o que dizem sobre não se apaixonar por um cafa, Não mergulhar de cabeça em uma relação (existe uma relação afinal?) ou para não beber demais... a gente só aprende tropeçando e com a minha sorte, caindo.

quinta-feira, 12 de junho de 2008

Doce de Pimenta ou Pimenta Doce?

Cada um vive como pode
E eu não nasci pra sofrer
Cara feia pra mim é fome
E eu não faço manha pra comer
A vida é como uma escola
E a morte é o vestibular
No inferno eu entro sem cola
Mas o céu eu vou ter que descolar
Mas quando alguém precisa de um carinho meu
Não há nada que me prenda
Mas se eu sentir que um bicho me mordeu
Sou mais ardida que pimenta!
No fundo eu sou otimista
Mas eu sempre imagino o pior
Me cansa essa vida de artista
Mas cada vez o prazer é maior

(Rita Lee)